Judd Trump: o craque do sinuca que vale R$ 67 milhões

O homem que começou em cima de uma caixa de madeira para alcançar a mesa — e hoje vale R$ 67 milhões.

19 de maio de 2026

Quando um Menino de Bristol Descobriu Que Tinha um Dom — Quase Impossível de Controlar

Tem uma foto — mental, não impressa — que resume Judd Trump melhor do que qualquer estatística. É a imagem de um garoto de cinco anos em pé sobre uma caixa de madeira, porque seus braços não chegavam até a mesa de sinuca. O pai, Steve Trump, havia colocado aquela caixinha ali para que o filho pudesse praticar. Ninguém, naquele momento, imaginava que aquela criança em cima de uma caixa se tornaria, décadas depois, o número um do mundo.

Portanto, a história de Trump não começa nos holofotes de um torneio ou na frieza de um número de conta bancária. Começa ali: num quarto com uma mesa verde, um menino pequeno demais, e uma obsessão que nunca foi embora.

Judd Trump nasceu em 20 de agosto de 1989 em Whitchurch, Bristol. Cresceu numa família simples — bem diferente do ambiente de dinheiro e escândalos que cercou Ronnie O’Sullivan, seu maior ídolo de infância. Aos oito anos, Trump declarou abertamente que queria “ser o próximo Ronnie O’Sullivan”. Nesse sentido, a ambição estava fixada cedo. O que ninguém sabia era o quanto ele levaria isso a sério.

O Prodígio Que Bateu o Recorde do Próprio Ídolo

Aos dez anos, Trump já era campeão inglês nas categorias sub-13 e sub-15. Aos 14, fez algo que beirava o impossível: tornou-se o jogador mais jovem da história a completar um break de 147 pontos numa competição oficial. O recorde anterior, ironicamente, pertencia a Ronnie O’Sullivan. Trump o quebrou com 14 anos e 208 dias, durante um torneio sub-16 em Leicester, em 2004.

Para entender o peso disso, é preciso entender o que é um 147. Imagine um jogo em que a pontuação máxima possível é 147 pontos — obtida encaçapando 15 bolas vermelhas, alternadas com a bola preta, e depois todas as coloridas em sequência. São 36 tacadas perfeitas, sem errar uma sequer. Afinal, um único erro e o placar para. Ronnie O’Sullivan fez isso aos 15 anos em amadores, e o mundo ficou boquiaberto. Trump o fez com 14. Ou seja: ele chegou ao profissionalismo, em 2005, já carregando um recorde que pertencia ao maior da história.

Patrimônio estimado
~R$ 67 milhões
Títulos de ranking
31
Breaks perfeitos (147)
9
Centuries na carreira
+1.100
Foto: World Snooker Tour / @worldsnookertour

O Garoto Promissor Que Demorou Para Explodir — e Quase Não Explodiu

Virar profissional aos 16 anos é sonho de qualquer atleta. Para Trump, virou uma armadilha disfarçada de oportunidade. O talento estava lá, visível para quem assistia — o potting longo, a agressividade nas tacadas, aquilo que a imprensa britânica batizou de “naughty snooker” (sinuca atrevida, numa tradução livre). O problema é que talento sem consistência é só espetáculo. Por anos, Trump foi exatamente isso: espetacular, porém inconstante.

Ele conquistou seu primeiro título de ranking apenas em 2011, no China Open, já com 21 anos — seis anos após virar profissional. A espera foi longa demais para quem quebrou o recorde de Ronnie aos 14. Mas quando chegou, chegou com força. Naquele mesmo ano, alcançou a final do Campeonato Mundial em Sheffield — o torneio mais importante do snooker, realizado no lendário Crucible Theatre — e perdeu para John Higgins. Sobretudo, o mundo percebeu que havia um novo nome capaz de desafiar os grandes.

A Virada Que Mudou Tudo

O UK Championship de 2011 selou a transformação. Trump venceu o torneio com 22 anos e tornou-se o mais jovem campeão do UK desde que Ronnie O’Sullivan havia ganho em 1993, aos 17 anos. A comparação com O’Sullivan, que ele mesmo alimentava desde criança, passou a ser inevitável. Em contrapartida, os anos seguintes trouxeram oscilações. Trump ganhava torneios, perdia títulos por inconsistência, e o mundo do snooker debatia se ele realizaria — ou desperdiçaria — o próprio potencial.

A resposta veio em 2019. E veio de forma avassaladora.

Sheffield, 2019: A Noite em Que Trump Se Tornou Campeão do Mundo — e Fez História

O Campeonato Mundial de Snooker tem um palco que não existe em nenhum outro esporte: o Crucible Theatre, em Sheffield. São 980 lugares, silêncio absoluto durante as tacadas e uma atmosfera que aperta o peito de qualquer jogador. Para Trump, o Crucible havia sido um lugar de frustrações — chegou à final em 2011 e saiu derrotado. Afinal, era aquele tipo de grande palco que parecia grande demais para ele.

Em 2019, isso mudou. Trump encontrou John Higgins na final — exatamente o mesmo adversário de oito anos antes. Dessa vez, foi uma demonstração de força sem pudor: 18 a 9, com sete centuries somente na final, igualando o recorde do próprio Higgins para mais centuries por um jogador numa final do Mundial. Portanto, não foi apenas uma vitória. Foi uma declaração.

O comentarista Steve Davis, seis vezes campeão mundial, definiu o segundo dia do jogo como “a aniquilação controlada de um grande jogador”. Raramente uma frase capturou tão bem o que estava acontecendo na mesa. Aquele título tornou Trump o 11º jogador da história a completar o Triple Crown — ganhando o Masters, o UK Championship e o Campeonato Mundial. Nesse mesmo ano, ele também se tornou o primeiro jogador na história a faturar mais de £1 milhão em prêmios numa única temporada. Em reais, usando a cotação atual de R$ 6,69 por libra, estamos falando de mais de R$ 6,7 milhões em um único ano — só de premiações.

Antes de ganhar o Mundial em 2019, Trump já havia batido o recorde de Ronnie O’Sullivan como o mais jovem a fazer um 147 numa competição oficial — com apenas 14 anos. O homem que ele idolizava desde os oito anos viu o próprio recorde cair nas mãos do menino que queria ser ele.

O Dinheiro Que Uma Vida de Tacadas Consegue Construir

Falar de dinheiro no snooker parece, à primeira vista, contradição. É um esporte de nicho — não tem o apelo global do futebol nem os contratos estratosféricos do tênis. Porém, para quem chega ao topo e se mantém, os números surpreendem. Trump acumulou mais de £8 milhões — perto de R$ 54 milhões na cotação atual — apenas em premiações ao longo de vinte anos de carreira profissional, segundo dados do CueTracker.

Na temporada 2024/25, Trump bateu o recorde histórico de premiação em uma única temporada: £1,68 milhão, equivalente a mais de R$ 11 milhões. Superou o recorde anterior de Ronnie O’Sullivan, de £1,29 milhão. Só o título do Saudi Arabia Snooker Masters em 2024 garantiu £500 mil — R$ 3,3 milhões — de uma tacada só (literalmente). Portanto, o patrimônio total estimado hoje fica entre £10 e £15 milhões, o que representa de R$ 67 milhões a R$ 100 milhões dependendo da fonte consultada.

De Bristol para Dubai: A Vida Que o Dinheiro Construiu

Esse dinheiro não ficou parado. Em 2024, Trump tomou uma decisão que surpreendeu o circuito: deixou a Inglaterra e estabeleceu residência em Dubai. A razão? Em parte, estratégia fiscal — Dubai não tributa renda pessoal. Em parte, a namorada: Maisy Ma, patinadora artística e apresentadora de TV de Hong Kong, com quem ele vive um relacionamento discreto desde por volta de 2022. Trump mantém residência nos dois lugares. “Minha base principal é Dubai, mas minha namorada vive em Hong Kong. Vou me dividir conforme os torneios”, explicou ele em entrevista.

A companheira merece menção própria. Maisy Ma, dez anos mais jovem que Trump, cobriu os Jogos Olímpicos de Paris como apresentadora, trabalha com a Mercedes em eventos corporativos e tem mais de 180 mil seguidores no Instagram. Dois atletas de alto nível, duas carreiras globais, dois fusos horários distintos. Afinal, é o tipo de relacionamento que só faz sentido a 35 mil pés de altitude.

31 Títulos, 9 Breaks Perfeitos e Uma Geração Que Ele Domina

Os números de Judd Trump em 2026 são os de alguém que não parou. São 31 títulos de ranking, posição que o coloca em quarto lugar entre os maiores vencedores da história do snooker — atrás apenas de Ronnie O’Sullivan, Stephen Hendry e John Higgins. São cinco títulos do Triple Crown. São mais de 1.100 centuries na carreira, tornando-o apenas o terceiro jogador da história a cruzar essa marca — feito alcançado em setembro de 2024. E são nove breaks perfeitos de 147, marca respeitável que, porém, ainda está longe dos 17 de O’Sullivan.

Em contrapartida, há algo que Trump tem que O’Sullivan nunca teve: uma estabilidade emocional de bloco de cimento. Enquanto Ronnie passava anos se internando, abandonando torneios e — num episódio que virou lenda — trabalhando em uma fazenda de porcos (isso foi literal), Trump construiu a carreira na regularidade. Treinamento diário no Grove Snooker Academy, em Romford, Essex. Rotina, método, entrega. O “naughty snooker” que encantou o público em 2011 evoluiu para algo mais sólido, mais clínico.

O Recorde Que Falta: Será Que Vem?

A única sombra no dossiê de Trump é a óbvia: ele ainda está atrás de O’Sullivan no que realmente importa para o legado. Sete títulos mundiais contra um. Dezessete breaks perfeitos contra nove. Quarenta e um títulos de ranking contra trinta e um. A narrativa do snooker moderno é exatamente essa tensão — Trump como o pretendente mais competente da geração, O’Sullivan como o padrão histórico que resiste a cair.

Trump tem 36 anos. Ronnie O’Sullivan continua competindo aos 50 com recordes que parecem ficção científica. Nesse sentido, a batalha ainda não acabou. E enquanto ela não acabar, o snooker mundial tem exatamente o que qualquer grande esporte precisa: um rei e um herdeiro que não aceita esperar.

O que Judd Trump ensina sobre dinheiro e talento

Ter o dom mais óbvio do mundo não é suficiente. Trump levou seis anos para ganhar seu primeiro título após se tornar profissional. Outros teriam desistido. Ele treinou. O dinheiro veio depois — R$ 67 milhões de patrimônio não aparecem do nada. Aparecem de uma década e meia de consistência absoluta, num esporte que perdoa pouco. O mais jovem a fazer um break perfeito na história acabou virando também o recordista de premiação em uma única temporada. Raramente a matemática da persistência é tão visível assim.

💬 Você sabia que Trump bateu o recorde de Ronnie O’Sullivan aos 14 anos — e que os dois ainda competem pelo mesmo legado? Deixa nos comentários quem você acha que vai sair na frente da história.

Leia também: The Rocket: o gênio do sinuca que vale R$ 100 milhões · Acesse também: Calcule seu FGTS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima