Luciano Huck e o Projeto Que Ninguém Vê: 2.800 Vidas Transformadas

Fora das câmeras, Luciano Huck construiu algo que vale mais do que qualquer programa de domingo.

Maio de 2026

Jovens formados
+ de 2.800
Taxa de empregabilidade
88%
Atuando na área
76%
Desde
2003

O projeto que o Brasil não sabe que existe

Todo mundo conhece o Luciano Huck do domingo. O apresentador carismático, o marido da Angélica, o nome que circula em especulações políticas a cada eleição. Mas existe um outro Luciano Huck — menos fotografado, menos comentado, quase invisível para quem não está no terceiro setor — que desde 2003 constrói, em silêncio relativo, uma das iniciativas sociais mais consistentes do país.

O projeto se chama Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias. Você provavelmente nunca ouviu falar. Na prática, isso é exatamente o problema.

A noite em que tudo começou com um leilão diferente

Em 2003, Luciano Huck reuniu amigos e parceiros numa sala e propôs um leilão incomum. Não havia carros, joias nem arte. Segundo o Meio & Mensagem, o que estava à venda eram “coisas que as pessoas não conseguem mensurar o valor” — experiências, momentos, memórias. A renda desse leilão, somada ao patrocínio da Volkswagen como mantenedora, foi a pedra fundamental do Instituto Criar, uma ONG instalada no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, com uma missão simples de enunciar e difícil de executar: pegar jovens de 17 a 20 anos em situação de vulnerabilidade social e transformá-los em profissionais do audiovisual.

Seis anos depois, em 2009, Huck repetiu a dose. Desta vez com show do cantor Seu Jorge e uma máquina de cartão de crédito circulando pelo salão. Segundo a Terra, a festa arrecadou R$ 2 milhões em uma única noite — R$ 500 mil a mais do que o leilão do ano anterior, que havia rendido R$ 1,5 milhão. Portanto, não é um projeto tocado com sobras de orçamento ou boa vontade esporádica. É uma operação com captação ativa, parcerias corporativas e método.

Em 2009, quando o instituto tinha cinco anos e 700 jovens formados, um cineasta presente na festa de arrecadação disse à Terra que já havia contratado 12 profissionais formados pelo Criar. “A rapaziada é boa mesmo”, afirmou. Naquele momento, 70% dos formados já estavam inseridos no mercado audiovisual. Hoje, esse número chegou a 88%.
📍 @institutocriar Foto: Rede Social

O que o Instituto Criar faz — e por que funciona

A lógica do Criar é diferente da maioria das ONGs assistencialistas. Não oferece cesta básica nem reforma de casa. Oferece formação técnica de 11 meses em seis áreas — Arte, Fotografia, Produção, Pós-Produção, Som e Tecnologia — com o mesmo rigor de uma escola profissionalizante de mercado. Os candidatos são indicados por mais de 60 ONGs e escolas públicas parceiras, chamadas de Aliados Sociais. Afinal, o instituto não busca qualquer jovem — busca aquele que já está inserido numa rede de apoio e tem perfil para absorver o conteúdo.

Anualmente, 150 jovens entre 17 e 20 anos, com renda familiar média de até meio salário mínimo, passam pelo programa. Sobretudo, passam por um ciclo que contempla todas as áreas antes de escolher uma para se aprofundar — o mesmo modelo de formação generalista que as grandes produtoras usam para desenvolver talentos internos. Ou seja, o Criar não forma assistidos. Forma profissionais.

Os números que provam que não é só discurso

Desde 2003, mais de 2.800 jovens passaram pelo Instituto Criar — conforme levantamento publicado pelo Diário de Cuiabá e pela Folha de S.Paulo em 2024. Desses, 88% estão trabalhando, sendo 76% exatamente na área em que se formaram. Esse segundo número é o mais impressionante. No mercado de trabalho convencional, é comum formar profissionais que acabam atuando em áreas completamente diferentes da sua graduação. No Criar, três em cada quatro formados trabalham com audiovisual ou tecnologia.

Nesse sentido, a taxa de aderência é maior do que a de muitos cursos universitários pagos. O impacto não passou despercebido pelo poder público. A Prefeitura de São Paulo firmou parceria com o instituto pelo programa Bolsa Trabalho — Audiovisual, ampliando o alcance da formação. O prefeito Ricardo Nunes, durante visita às instalações do Criar, colocou o número em perspectiva: o setor audiovisual movimenta R$ 5 bilhões por ano em São Paulo e gera 200 mil empregos diretos. Portanto, formar jovens para esse setor não é filantropia isolada — é inserção real numa cadeia econômica de peso.

Luciano Huck palestrando no Web Summit Rio 2023
Luciano Huck no Web Summit Rio 2023, no Riocentro, Rio de Janeiro. Foto: Sam Barnes / Web Summit Rio via Sportsfile / CC BY 2.0

A parceria com a Disney que quase ninguém notou

Em determinado momento, o Instituto Criar lançou a plataforma Vozes Diversas, em parceria com a Walt Disney Company. A iniciativa reúne cerca de 500 talentos formados pela ONG e os apresenta ao mercado audiovisual de forma organizada — com perfis, portfólios e conexão direta com produtoras. É o tipo de parceria que qualquer escola de cinema pagaria caro para ter. O Criar conseguiu porque a qualidade dos seus formados falou por si.

Em contrapartida, o instituto continua pouco conhecido fora do terceiro setor. Não tem o apelo imediato de uma reforma de casa ou de um carro novo entregue com fanfarra. O que entrega — uma carreira, uma renda, uma identidade profissional — demora onze meses para aparecer e uma vida inteira para ser medido. É exatamente por isso que não vira manchete com frequência. E é exatamente por isso que merece ser contado.

O legado que a câmera não captura

Sobretudo, o Instituto Criar revela algo sobre como o impacto social de verdade funciona. Não é linear, não é fotogênico e não cabe em um quadro de programa de auditório. É feito de decisões tomadas em 2003, de leilões de “coisas sem valor mensurável”, de uma sala no Bom Retiro onde jovens de periferia aprendem a operar câmeras, editar vídeos e construir carreiras. Nesse sentido, cada um dos 2.800 formados é uma resposta concreta a uma pergunta que o Brasil faz há décadas sem resposta definitiva: como transformar talento periférico em oportunidade real? O Criar tem a resposta. E tem 22 anos de evidência para provar.

O que 2.800 jovens empregados dizem sobre Luciano Huck

É fácil fazer filantropia que aparece. Reformar uma casa dá imagem. Entregar um carro dá ibope. Construir uma ONG que em 22 anos forma 150 profissionais por ano, mantém taxa de 88% de empregabilidade e fecha parceria com a Disney sem fazer barulho — isso é outra coisa. O Instituto Criar não é o projeto mais famoso de Luciano Huck. Talvez seja o mais importante.

Você conhecia o Instituto Criar? Se não conhecia, compartilha — porque esse projeto merece mais do que uma menção no fim de uma entrevista. 👊

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