
Neymar está de volta — e o Brasil chega à Copa de 2026 com 26 nomes que prometem encerrar 24 anos de jejum
O Brasil que vai à Copa ainda precisa se provar — e sabe disso
Carlo Ancelotti subiu ao palco do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, na tarde desta segunda-feira e leu, em voz pausada e sotaque italiano, os 26 nomes que vão tentar fazer o Brasil voltar ao topo do mundo. Afinal, são 24 anos sem uma Copa na mão — desde o pentacampeonato de 2002 no Japão e na Coreia do Sul, o país mais vitorioso do futebol mundial não passou de quartas de final. Portanto, a expectativa que cercou este anúncio não era de mera formalidade. Era de cobrança histórica.
Neymar Jr. está na lista. O nome saiu da boca do técnico italiano e foi como jogar uma pedra num lago — as ondas se espalharam em segundos pelas redes sociais. O atacante do Santos, que não jogava pela Seleção desde outubro de 2023 — quando rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo numa eliminatória contra o Uruguai —, entra no grupo de 26 pela primeira vez sob o comando de Ancelotti. Ou seja, nem nas cinco convocações anteriores do treinador ele havia sido chamado. Agora, aos 34 anos, ganha sua última chance num Mundial.
A convocação, porém, não foi só Neymar. Ao redor dele, Ancelotti montou um grupo que mistura experiência europeia, jovens de Premier League e alguma dose de ousadia — como os casos de Rayan, do Bournemouth, e Igor Thiago, do Brentford, que disputavam as últimas vagas com Pedro, do Flamengo. Os dois entraram. Pedro ficou fora. O recado foi claro: Ancelotti valoriza quem está na Europa e em ritmo alto de jogo.
A lista completa: quem Ancelotti escolheu para buscar o Hexa
🧤 Goleiros
Alisson (Liverpool) · Ederson (Atalanta) · Weverton (Grêmio)
🛡️ Defensores
Alex Sandro (Flamengo) · Bremer (Juventus) · Danilo (Flamengo) · Douglas Santos (Zenit) · Gabriel Magalhães (Arsenal) · Ibañez (Al-Ahli) · Léo Pereira (Flamengo) · Marquinhos (PSG) · Wesley (Roma)
⚙️ Meio-campistas
Bruno Guimarães (Newcastle) · Casemiro (Manchester United) · Danilo (Botafogo) · Fabinho (Al-Ittihad) · Lucas Paquetá (Flamengo)
⚽ Atacantes
Endrick (Lyon) · Gabriel Martinelli (Arsenal) · Igor Thiago (Brentford) · Luiz Henrique (Zenit) · Matheus Cunha (Manchester United) · Neymar Jr. (Santos) · Raphinha (Barcelona) · Rayan (Bournemouth) · Vinícius Jr. (Real Madrid)
Neymar, os 34 anos e o peso de carregar um sonho que não é só dele
Tem algo de cinematográfico — e também de arriscado — na convocação de Neymar. O jogador mais caro da história do futebol, vendido pelo Barcelona ao PSG em 2017 por R$ 1,3 bilhão (sim, em reais, na cotação da época), chega ao Mundial de 2026 depois de dois anos e meio em que o seu nome esteve mais associado a clínicas de recuperação do que a campos de futebol. Sobretudo, é preciso dizer: Neymar não disputou nenhum jogo sob o comando de Ancelotti antes dessa convocação.
A pesquisa da AtlasIntel, divulgada na semana passada, mostrou que 50,3% dos brasileiros eram contra a convocação do camisa 10. Outros 42% defendiam a presença dele. Afinal, a divisão da torcida não é por acaso — reflete um jogador que ainda é o maior salário do futebol nacional quando vestiu a camisa do Santos neste retorno, mas que acumulou lesões, polêmicas e ausências ao longo de três anos difíceis. Em contrapartida, quando está em dia, ainda é capaz de mudar o resultado de um jogo sozinho. Ancelotti claramente acredita nisso.
O que o técnico italiano comunicou, ao incluir Neymar, foi uma aposta calculada: o jogador está fisicamente apto, vem em sequência de jogos pelo Santos, e representa o tipo de criatividade imprevisível que só ele oferece no plantel. Nenhum outro nome da lista faz o que Neymar faz nos últimos trinta metros. Portanto, o risco de levá-lo é menor do que o risco de não tê-lo disponível quando o placar estiver empatado nas quartas de final.
Os jovens que chegam para mudar a história: Endrick, Rayan e Igor Thiago
Se Neymar representa o passado que ainda quer escrever um capítulo final, há três nomes na lista que representam o futuro — e que chegam ao Mundial sem o peso de 2022 nas costas. Endrick, de apenas 19 anos, atua pelo Lyon na França e foi um dos destaques da última temporada. O centroavante paulistano, cria do Palmeiras, tem velocidade, instinto de gol e uma frieza impressionante para a idade. Nesse sentido, pode ser a surpresa positiva do torneio.
Rayan, do Bournemouth, tem 20 anos e veio do Vasco, onde chamou atenção em 2025 ao ponto de virar alvo europeu. Na Premier League inglesa, já marcou cinco gols em 13 partidas — números que justificam a convocação e mostram que a transição para o futebol europeu foi rápida e bem-sucedida. O jovem ponta-direita chega como opção ao setor ofensivo, com capacidade de jogar pela direita e pressionar a saída de bola adversária.
Igor Thiago, por sua vez, foi vice-artilheiro da Premier League pelo Brentford — clube pequeno, de Londres, que briga todo ano contra o rebaixamento e transforma jovens brasileiros em referências. O atacante de 24 anos marcou o gol da vitória do Brasil contra a Croácia no amistoso de março, de pênalti, e garantiu sua vaga. Afinal, gol em amistoso importante tem peso na cabeça de qualquer treinador.
O grupo que vai ao Mundial: experiência europeia, ausências polêmicas e um técnico que não faz concessões
Ancelotti não é o tipo de treinador que convoca por pressão popular. Rodrygo, que estava na pré-lista dos 55, ficou fora por questões físicas — passou por cirurgia e não tem condições de jogar. Éder Militão, titular absoluto do Real Madrid, também está fora por lesão. Estêvão, que seria um dos destaques da convocação, se machucou e foi cortado antes mesmo do anúncio. Ou seja, o Brasil chega à Copa sem três dos maiores nomes do futebol mundial — todos por razões médicas.
Isso, paradoxalmente, abriu espaço para surpresas. Danilo, do Botafogo — diferente de Danilo, o lateral do Flamengo —, entrou como volante. Matheus Cunha, do Manchester United, que vive temporada impressionante no clube inglês, reforça o setor ofensivo com versatilidade. Lucas Paquetá, do Flamengo, retorna ao grupo depois de uma temporada turbulenta, e Fabinho — o volante do Al-Ittihad, na Arábia Saudita — aparece como opção de equilíbrio para o meio-campo. Casemiro, do Manchester United, segue como titular incontestável na contenção.
Na defesa, Marquinhos lidera um grupo que conta com Gabriel Magalhães (Arsenal), Bremer (Juventus) e Léo Pereira (Flamengo). O setor é sólido, experiente e tem jogadores que convivem com pressão alta semana a semana na Europa. Portanto, a espinha dorsal defensiva não é um problema — é, na verdade, um dos pontos mais fortes do grupo.
Brasil x Marrocos: 13 de junho, Nova Jersey, e a primeira prova do hexa
A estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026 está marcada para o dia 13 de junho, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, contra Marrocos — a mesma seleção africana que surpreendeu o mundo no Catar em 2022, eliminando Portugal e chegando às semifinais. Sobretudo, não é um adversário fácil de se enfrentar na estreia. Marrocos joga com intensidade defensiva, pressiona alto e tem uma das torcidas mais barulhentas do torneio.
Depois do Marrocos, o Brasil enfrenta Haiti e Escócia ainda na fase de grupos — dois adversários mais acessíveis, o que dá ao time de Ancelotti margem para ajustes e gestão de cargas físicas. Afinal, numa Copa do Mundo disputada nos Estados Unidos com o calor de junho, o desgaste físico é uma variável determinante. Antes da estreia, o Brasil ainda joga dois amistosos: contra o Panamá, no Maracanã (31 de maio), e contra o Egito, em Cleveland (6 de junho).
Honestamente, ninguém sabe. Essa lista tem qualidade para chegar longe — talvez a mais equilibrada desde 2002. Tem goleiro de elite, defesa experiente, meio-campo com músculo e criatividade, e ataque com velocidade e gol. Neymar pode ser o diferencial ou o ponto fraco, dependendo do dia. O que é certo: Ancelotti escolheu um grupo, não uma galeria de estrelas. E na Copa do Mundo, grupo costuma valer mais do que nome.
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