Cinco relógios. Cinco fortunas no pulso. O mais barato custa R$ 56 mil — e ainda assim fica em fila de espera por anos.
Um relógio não é só um relógio — a não ser que você seja bilionário
Existe uma diferença fundamental entre comprar um relógio e investir em um relógio. O primeiro você encontra em qualquer shopping. O segundo exige fila de espera, relacionamento com revendedor autorizado e, em alguns casos, um histórico de compras que prove que você merece ser chamado de cliente.
Parece absurdo — e é. Mas é exatamente essa lógica que faz certos modelos valerem mais usados do que novos, mais velhos do que recentes, mais escassos do que abundantes. Portanto, quando um bilionário olha para o pulso, ele não está vendo as horas. Ele está vendo patrimônio.
Nessa lista, os cinco relógios que aparecem nos pulsos mais ricos do mundo — e que, sem exceção, provaram ser reservas de valor mais consistentes do que muitos ativos financeiros convencionais. Na prática, um relógio pode render mais que a bolsa.

5º lugar — Rolex Submariner: o relógio que entrou pela porta dos fundos e nunca mais saiu
Poucos objetos no mundo são tão reconhecíveis quanto o Submariner. Criado em 1953 como relógio de mergulho profissional — resistente a 100 metros de profundidade —, o modelo foi adotado por agentes secretos, comandantes navais e, décadas depois, por executivos que nunca mergulharam na vida.
O atual modelo de referência é o 126610LN, em aço inoxidável, com mostrador preto e luneta em cerâmica. O preço oficial na tabela da Rolex gira em torno de US$ 11.350 — ou aproximadamente R$ 56 mil pelo câmbio atual. Só que comprar na tabela é quase impossível. Portanto, no mercado secundário, o mesmo relógio é negociado entre R$ 65 mil e R$ 90 mil sem dificuldade.
Ou seja, quem consegue comprar direto da boutique autorizada já sai com lucro garantido antes de usar. Afinal, a marca fabrica cerca de 800 a 900 mil relógios por ano no total, mas a demanda supera a oferta em praticamente todos os modelos desejados. Nesse sentido, a retenção de valor do Submariner é consistente há décadas — não é o relógio que mais valoriza nesta lista, mas é o mais líquido: qualquer colecionador do mundo sabe quanto vale e encontra comprador em minutos.

4º lugar — Rolex Daytona: o cronógrafo que ninguém consegue comprar — e todo mundo quer
Se o Submariner é a porta de entrada, o Daytona é o andar de cima. Lançado em 1963 como relógio de corrida — batizado em homenagem ao circuito de Daytona Beach, na Flórida —, o modelo passou décadas vendendo mal antes de se tornar o relógio mais cobiçado do planeta.
A virada aconteceu quando o ator Paul Newman usou um Daytona de mostrador exótico em público. Depois disso, tudo mudou. O exemplar que pertenceu ao próprio Newman foi leiloado pela Sotheby’s por US$ 17,75 milhões — o Daytona mais caro da história.
O modelo atual, referência 126500LN, em aço com luneta de cerâmica, custa US$ 15.100 na tabela oficial — cerca de R$ 74 mil. Portanto, no mercado secundário, o mesmo relógio é encontrado entre US$ 28 mil e US$ 35 mil, ou seja, entre R$ 137 mil e R$ 172 mil. Quem comprou o modelo anterior (116500LN) quando foi lançado em 2016 por US$ 13.150 e vender hoje recebe entre R$ 123 mil e R$ 157 mil.
Em contrapartida, a bolsa americana entregou retorno médio de 8% ao ano no mesmo período. O Daytona entregou mais. Sobretudo porque esse relógio não deprecia — apenas espera o momento certo.

3º lugar — Audemars Piguet Royal Oak: o relógio que quebrou todas as regras e virou ícone
Em 1972, o designer Gerald Genta — o mesmo que criaria o Nautilus da Patek anos depois — desenhou em uma única noite o que seria o primeiro relógio esportivo de luxo em aço inoxidável a custar mais que os modelos em ouro. O conceito era absurdo para a época. Portanto, o Royal Oak nasceu como uma provocação — e virou uma das peças mais copiadas e desejadas da história da relojoaria.
A referência clássica 15202ST, em aço com mostrador azul e pulseira integrada, tem preço de tabela em torno de R$ 185 mil. No mercado secundário, os valores oscilam entre R$ 250 mil e R$ 350 mil dependendo do estado e da raridade. Nesse sentido, o Royal Oak representa um salto qualitativo nesta lista — aqui já não estamos falando de executivos de médio porte, mas de patrimônio visível.
No Brasil, o AP, como os colecionadores chamam, aparece com frequência no pulso de empresários, gestores de fundos e atletas de alto rendimento. Afinal, a Audemars Piguet produz cerca de 50 mil relógios por ano no total — menos da metade do que a Rolex fabrica mensalmente. Ou seja, cada peça que sai da manufatura em Le Brassus, na Suíça, já nasce escassa.

2º lugar — Patek Philippe Nautilus: o Santo Graal da relojoaria esportiva
“Você nunca realmente possui um Patek Philippe. Você apenas cuida dele para a próxima geração.” Essa é a frase que a marca suíça usa em sua comunicação oficial — e que resume com precisão cirúrgica o que o Nautilus representa para quem entende de relojoaria.
Criado também por Gerald Genta em 1976, o Nautilus 5711 em aço com mostrador azul marinho tornou-se o relógio mais disputado do mundo moderno. Portanto, quando a Patek Philippe anunciou em 2021 que descontinuaria o 5711, o mercado reagiu de forma imediata: exemplares que valiam R$ 225 mil em tabela passaram a ser negociados por R$ 350 mil a R$ 500 mil — alguns chegando ao dobro do preço oficial.
A Patek Philippe produz cerca de 65 mil relógios por ano no total. Desses, apenas 20% são em aço — o material mais cobiçado pelos colecionadores, paradoxalmente mais valioso que o ouro nesse contexto. Ou seja, aproximadamente 13 mil peças em aço por ano são divididas entre cerca de 400 revendedores autorizados no mundo. Cada loja recebe em média 32 unidades anuais de todos os modelos em aço combinados.
Nesse sentido, encontrar um Nautilus novo à venda não é questão de dinheiro — é questão de relacionamento, reputação e, muitas vezes, sorte. Sobretudo, é por isso que o Nautilus virou símbolo de um clube que não aceita membros apenas pelo saldo bancário.

1º lugar — Richard Mille RM 011: o relógio que só bilionários de verdade usam
Aqui chegamos ao topo. Não pelo preço apenas — embora o preço seja, por si só, uma declaração. O Richard Mille RM 011, na versão em titânio com pulseira de borracha, começa em torno de R$ 800 mil e pode ultrapassar R$ 1,8 milhão nas versões especiais em ouro rosa.
No mercado secundário de 2026, exemplares regulares estão sendo negociados entre US$ 165 mil e US$ 210 mil — ou seja, de R$ 810 mil a R$ 1,03 milhão. Portanto, não é o tipo de objeto que entra no orçamento. É o tipo de objeto que define o orçamento de outras pessoas.
O RM 011 foi criado em parceria com o piloto Felipe Massa e incorpora tecnologia diretamente derivada da Fórmula 1: materiais de aviação, caixa em titânio grau 5, tolerâncias de fabricação medidas em milésimos de milímetro. Ou seja, é um relógio que custaria caro para produzir mesmo que a marca não se importasse com exclusividade — e ela se importa muito.
No Brasil, o RM 011 já apareceu no pulso de Boninho, ex-diretor da Rede Globo, avaliado em R$ 1,1 milhão. Em contrapartida, a Richard Mille não divulga dados de produção — o que, por si só, já comunica algo sobre a marca.
O que esses cinco relógios têm em comum
Nenhum deles é o relógio mais preciso do mercado — um smartphone de R$ 3 mil bate qualquer um deles em precisão de horário. O que os une é outro tipo de exatidão: a exatidão de um mercado que entende escassez, herança e desejo melhor do que qualquer algoritmo.
Afinal, segundo dados da Bloomberg e do Boston Consulting Group, os preços de Rolex, Patek Philippe e Audemars Piguet valorizaram em média 20% ao ano entre 2018 e 2023 — superando o retorno médio do S&P 500 no mesmo período. O mercado secundário de relógios de luxo movimentou US$ 24 bilhões em 2022 e deve atingir US$ 35 bilhões até 2026.
Qual desses cinco você colocaria no pulso se o dinheiro não fosse problema? 💬
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