Shakira em Copacabana: o show que vai movimentar R$ 800 milhões

Shakira tocando guitarra no palco do Rock in Rio em 2008
Shakira durante show no Rock in Rio, em 2008 — uma das primeiras grandes apresentações da artista no Brasil. (Foto: Andres.Arranz / Wikimedia Commons / CC BY 2.5)

A colombiana que começou no Brasil e transformou cada cidade visitada em caixa registradora — agora volta a Copacabana para fechar o ciclo mais lucrativo da história da música latina.

29 de abril de 2026 | Forbes, Billboard, Prefeitura do Rio de Janeiro, CNN Brasil

Em fevereiro de 2025, Shakira desembarcou no Rio de Janeiro com uma turnê que ninguém sabia ainda que seria histórica. O Estádio Nilton Santos recebeu 35 mil pessoas. Em São Paulo, no Morumbi, foram mais de 65 mil numa só noite.

Números respeitáveis. Mas o que veio depois é que virou lenda.

A Las Mujeres Ya No Lloran World Tour — nome tirado direto do álbum que ela compôs enquanto o mundo todo acompanhava sua separação de Gerard Piqué — se transformou na turnê de uma artista latina com maior faturamento de todos os tempos. Registrada no Guinness World Records. Com direito a plaquinha e tudo.

E o Brasil foi onde tudo começou.

De Piqué para o Guinness

A história tem uma ironia deliciosa: o mesmo escândalo que dominou manchetes por meses — a separação amplamente repercutida na mídia, as músicas com endereço certo, a parceria explosiva com Bizarrap — virou combustível para uma das maiores máquinas de dinheiro da história da música ao vivo.

Shakira não deu entrevistas. Não chorou em público. Compôs. Lançou. Saiu em turnê.

O resultado, segundo ranking publicado pela Billboard em 2025, foi uma arrecadação de mais de US$ 421 milhões em 86 shows — algo em torno de R$ 2,2 bilhões. Mais de 3,3 milhões de ingressos vendidos ao redor do mundo. A frase que ela jogou na música virou slogan involuntário de toda uma era: las mujeres ya no lloran, las mujeres facturan.

Ela, evidentemente, faturou.

Faturamento total da turnê (Billboard, 2025)
US$ 421 mi (R$ 2,2 bi)
Ingressos vendidos
3,3 milhões
Shows realizados
86
Ganhos pessoais em 2025 (Forbes)
US$ 105 mi (R$ 577 mi)
O faturamento bruto da turnê é dividido com promotores, produtoras e equipe técnica. Os US$ 105 milhões apontados pela Forbes em dezembro de 2025 representam o ganho líquido estimado de Shakira no ano — já incluindo streaming, royalties e contratos comerciais.

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Shakira durante show da turnê Las Mujeres Ya No Lloran World Tour em 2025 — a mais lucrativa da história da música latina. (Reprodução)

O que o Brasil tem a ver com tudo isso

Muito. O Brasil não foi apenas mais uma parada na turnê — foi o ponto de partida simbólico e estratégico de toda a operação.

Shakira escolheu o país para estrear o espetáculo. E não foi por acaso: a artista tem histórico longo por aqui. A primeira vez foi em 1996, quando ela percorreu cidades como Taubaté e Uberlândia com a turnê Pies Descalzos — com ingressos vendidos por R$ 5. Isso mesmo, cinco reais.

Trinta anos depois, o cenário mudou um pouco.

Em São Paulo, o Morumbi esgotou com mais de 65 mil pessoas. No Rio, o Engenhão reuniu 35 mil. E agora, em 2 de maio de 2026, ela volta a Copacabana para um show gratuito dentro do projeto Todo Mundo no Rio — com estimativa de 2 milhões de pessoas na praia.

Dois milhões. Para comparar: a Virada Cultural de São Paulo costuma reunir entre 3 e 4 milhões em toda a cidade, ao longo de 24 horas. Shakira vai reunir metade disso numa única praia, numa única noite.

O show que vai movimentar quase R$ 800 milhões

A Prefeitura do Rio, em parceria com a Riotur, publicou um estudo detalhando o impacto econômico esperado para o show de 2 de maio. Os números são difíceis de acreditar — mas estão lá, assinados por órgãos municipais e disponíveis no Observatório Econômico do Rio.

A projeção é de R$ 776,2 milhões em movimentação econômica direta. Turistas nacionais devem gastar em média R$ 547,30 por dia, com permanência de três dias na cidade. Estrangeiros, R$ 626,40 por dia, ficando quatro dias. São 278 mil visitantes de fora do Rio esperados — mais 32 mil de outros países.

Impacto econômico projetado (Riotur/Prefeitura do Rio)
R$ 776,2 milhões
Público esperado
2 milhões de pessoas
Investimento público no show
R$ 15 milhões
Exposição internacional estimada
US$ 250 mi (R$ 1,3 bi)

Para contextualizar: o show de Madonna em 2024 gerou R$ 469 milhões na economia carioca. Lady Gaga, em 2025, chegou a R$ 592 milhões. Shakira deve superar os dois.

E o Rio investiu R$ 15 milhões para recebê-la — valor que, na conta da prefeitura, retorna multiplicado por mais de 50 vezes só em movimentação direta. Sem contar os R$ 1,3 bilhão em mídia espontânea internacional estimados pelo município.

Vale o registro: esses são números projetados, não realizados. Estudos de impacto econômico de grandes eventos costumam trabalhar com cenários otimistas — e o resultado real depende de fatores como clima, logística e comportamento do público no dia. O impacto concreto só será medido após o evento.

Uma turnê que começou na dor e virou fenômeno global

Tem algo de poético — e de profundamente calculado — na trajetória dessa turnê.

O álbum Las Mujeres Ya No Lloran foi lançado em 2024, no rastro da separação mais comentada do entretenimento mundial. As músicas falavam de decepção, superação, recomeço. TQG, com Karol G. Monotonía. Te Felicito. Cada faixa com endereço certo.

O público — especialmente o feminino e o latino — não só ouviu. Se identificou. E foi aos shows.

Segundo dados da Billboard publicados em 2025, a média de faturamento por apresentação da turnê girou em torno de US$ 4,9 milhões. Para comparar: Paul McCartney arrecadou US$ 104 milhões em 22 shows no mesmo período. Shakira fez mais dinheiro por apresentação do que o ex-Beatle.

Ela também foi a única artista latina no top 10 global de bilheterias em 2025, de acordo com o ranking da Billboard. Em segundo lugar no ranking geral — atrás apenas do Coldplay.

O Coldplay, diga-se, também vai à Copacabana em breve. A fila anda.

O que fica dessa história?

Que o Brasil tem um papel raro no circuito global de grandes artistas: é o país onde as turnês ganham escala, onde o público transborda estádios e onde uma praia consegue reunir 2 milhões de pessoas para um único show.

Shakira começou aqui em 1996, com ingresso de R$ 5 e shows no interior de São Paulo. Volta em 2026 como a artista latina mais lucrativa da história da música ao vivo. O Brasil esteve nos dois pontos dessa linha.

E no sábado, dia 2 de maio, às 21h45, ela canta de graça para 2 milhões de pessoas em Copacabana — enquanto a cidade fatura quase R$ 800 milhões ao redor dela.

Las mujeres facturan. E o Rio também.

💬 O que você acha? O Brasil merece ser o palco oficial das maiores turnês do mundo? Deixa sua opinião nos comentários.

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1 comentário em “Shakira em Copacabana: o show que vai movimentar R$ 800 milhões”

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