Nintendo Lucra R$ 15 Bilhões, Mas Trump Está Comendo o Lucro

O Switch 2 vendeu quase 20 milhões de unidades — e mesmo assim a Nintendo precisou aumentar os preços para sobreviver às tarifas americanas

Fator Bilhão  ·  8 de maio de 2026

O maior ano da Nintendo em décadas — e ainda assim não foi suficiente

Imagine dobrar o seu faturamento em um único ano. Vender quase 20 milhões de consoles. Lançar o produto mais esperado da indústria e ver as filas se formarem do Japão ao Brasil. Qualquer empresa do mundo comemoraria isso com champanhe e fogos de artifício. A Nintendo comemorou — mas com um olho no balanço e outro na Casa Branca. Na prática, não foi tão simples assim.

O balanço anual divulgado nesta sexta-feira pela Nintendo revelou lucro líquido de 424 bilhões de ienes — o equivalente a cerca de R$ 15 bilhões — com alta de 52% sobre o ano anterior. As vendas praticamente dobraram, chegando a 2,3 trilhões de ienes, ou aproximadamente R$ 82 bilhões. Números que qualquer empresa sonha em apresentar aos acionistas.

O problema é que o próximo ano promete ser bem mais duro. Afinal, as tarifas de Donald Trump já chegaram à sala de reuniões da Nintendo — e não vieram para sentar quietas.

Lucro líquido
R$ 15 bilhões
Crescimento de vendas
+99% no ano
Switch 2 vendidos
19,86 milhões
Impacto das tarifas
R$ 3,5 bilhões

O Switch 2 que salvou o balanço

Para entender o tamanho do feito, é preciso voltar um pouco. O Switch original, lançado em 2017, foi um dos maiores sucessos da história dos videogames — 155 milhões de unidades vendidas ao longo de oito anos, superando consoles lendários como o PlayStation 2. Substituir esse produto era, tecnicamente, um risco enorme.

A Nintendo apostou. O Switch 2 chegou em junho de 2025 e, em menos de dez meses, já havia vendido 19,86 milhões de unidades. Portanto, quase 20 milhões de consoles em um único ano fiscal. Os jogos venderam 48,7 milhões de cópias. Mario Kart World — lançado junto com o console — se tornou um dos títulos mais vendidos da história recente da empresa.

Ou seja, o Switch 2 não apenas sustentou o balanço: ele transformou o exercício fiscal em um dos melhores da história da companhia. E tudo isso acontecendo com 76,9% das receitas vindo de fora do Japão — o que diz muito sobre onde a Nintendo de fato mora: nos bolsos dos americanos, europeus e brasileiros.

Quando Trump entra no jogo

Aqui é onde a história vira. O presidente Shuntaro Furukawa foi claro durante a apresentação dos resultados: as tarifas impostas pelo governo Trump e o aumento no custo de componentes como memória vão pesar cerca de 100 bilhões de ienes — aproximadamente R$ 3,5 bilhões — nos custos da empresa no próximo ano fiscal.

Para compensar, a Nintendo já anunciou aumento de preços. No Japão, o Switch 2 sobe de 49.980 ienes para 59.980 ienes a partir de 25 de maio — alta de 20%. Nos Estados Unidos, o console passará de US$ 449,99 para US$ 499,99 em setembro.

Nesse sentido, quem paga a conta das tarifas não é a Nintendo. É o consumidor final.

Furukawa ainda foi além e admitiu publicamente algo que poucas empresas costumam dizer em apresentações de resultado: se as tarifas encarecerem produtos básicos como alimentos, as famílias americanas terão menos dinheiro sobrando para gastar em videogame. Ou seja, o risco não é apenas de custo — é de demanda.

O detalhe que poucos notaram: a Nintendo prevê vender 16,5 milhões de Switch 2 no próximo ano fiscal — queda de 17% em relação aos 19,86 milhões do ano anterior. Parte disso é natural (consoles vendem mais no lançamento), mas parte reflete exatamente essa cautela com o mercado americano. A empresa que mais vende videogames no mundo está, discretamente, reduzindo suas próprias expectativas por causa de uma guerra comercial que ela não iniciou.

O que os números escondem

Há um dado no balanço que passa despercebido na maioria das manchetes: a previsão de lucro para o próximo ano cai. A Nintendo projeta lucro líquido de 310 bilhões de ienes para o exercício que termina em março de 2027 — uma queda de 27% em relação aos 424 bilhões registrados agora.

Em termos práticos, a empresa vai faturar menos, lucrar menos e ainda assim precisar aumentar preços. Isso acontece num cenário em que o Switch 2 continuará vendendo bem — a projeção de 60 milhões de jogos vendidos no próximo ano supera os 48,7 milhões atuais — mas a margem de cada produto vendido será menor.

Portanto, o paradoxo é real: a Nintendo está crescendo e encolhendo ao mesmo tempo. Crescendo em receita de software, encolhendo em rentabilidade. Sobretudo porque as tarifas atingem justamente o hardware — o console físico, fabricado no exterior e importado para os EUA.

O que isso tem a ver com o seu bolso

Para o brasileiro que acompanha o mercado de tecnologia ou simplesmente quer comprar um Switch 2, o recado é direto: os preços tendem a subir — e não apenas nos EUA.

A cadeia de suprimentos de eletrônicos é global. O que encarece para a Nintendo nos Estados Unidos costuma se refletir, em tempo, nos preços praticados em outros mercados. Em contrapartida, o real desvalorizado já torna o console consideravelmente mais caro no Brasil do que em outros países. Um Switch 2 que custa US$ 499,99 nos EUA — após o reajuste de setembro — chega facilmente a R$ 3.000 ou mais nas lojas brasileiras, dependendo do câmbio e dos impostos de importação.

Afinal, a guerra comercial de Trump não respeita fronteiras. E a Nintendo, que construiu um império em cima da alegria de jogar, está aprendendo na prática que geopolítica e entretenimento nunca estiveram tão misturados.

O que o balanço da Nintendo ensina sobre o mundo

A empresa japonesa dobrou o faturamento, lançou o console do ano e ainda assim precisa aumentar preços e reduzir expectativas de lucro. A causa? Uma política comercial tomada a milhares de quilômetros de Kyoto. Isso não é apenas uma notícia de tecnologia — é uma aula sobre como decisões políticas atravessam oceanos e chegam diretamente ao preço do que você compra. Nintendo ou não.

🎮 Você tem ou pretende comprar um Switch 2? O aumento de preço muda seus planos? Conta nos comentários!

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