Os Maiores Salários da F1 em 2026: Análise Completa

Max Verstappen pilotando a Red Bull Racing no GP da Áustria 2021 da Fórmula 1

Max Verstappen acelera pela Red Bull Racing no Grande Prêmio da Áustria de 2021 — o ano em que tudo começou a mudar na Fórmula 1. (Foto: Lukas Raich / CC BY-SA 4.0)

Na F1, o troféu e o cheque raramente andam juntos. Veja o ranking completo dos maiores salários de 2026 — e entenda por que Verstappen continua faturando mais do que o campeão.

Maio de 2026 | Fontes: RacingNews365, Forbes, Exame, CNN Brasil

A Fórmula 1 é o único esporte do mundo onde você pode ser campeão e, ainda assim, ficar em terceiro lugar no que realmente importa para o banco. Em 2025, Lando Norris venceu o campeonato. Em 2026, o calendário virou, os carros mudaram, o regulamento foi reescrito do zero — e Max Verstappen continuou no topo de uma lista muito mais importante do que a classificação de pilotos: a dos salários.

Portanto, antes de falar de pole positions, vale entender o que de fato move essa máquina de dinheiro que é a F1. Por trás dos capacetes milionários, dos macacões cobertos de logo e dos carros que custam mais do que um prédio inteiro, existe uma economia paralela tão competitiva quanto qualquer Grande Prêmio. Afinal, não é à toa que os dez pilotos mais bem pagos do grid movimentaram, juntos, mais de US$ 363 milhões em 2025 — alta de 15% em relação ao ano anterior, segundo a Forbes.

A Corrida Que Não Aparece no Telão

Em 2026, a F1 estreou um regulamento técnico completamente novo, com motores híbridos ainda mais potentes e carros redesenhados do zero. Diante disso, nenhuma equipe sabia exatamente quem dominaria a temporada. No entanto, havia uma certeza: independente do desempenho na pista, dois nomes já chegavam ao grid como os mais valorizados do paddock. Verstappen. Hamilton. Sempre eles.

Os salários listados a seguir são os valores base anuais compilados pelo RacingNews365, sem contar bônus por vitórias, prêmios de construtores ou os contratos pessoais de patrocínio — que, em alguns casos, praticamente dobram o que o piloto recebe da equipe. Ou seja: o que você vai ver abaixo é apenas a ponta do iceberg.


Nº 1

Max Verstappen — O Holandês que Cobra Pelo Pódio e pelo Sobrenome

Tetracampeão. Quatro títulos consecutivos entre 2021 e 2024. Verstappen chegou à temporada 2026 como o piloto mais caro da história recente da categoria — e a Red Bull, aparentemente, concorda com esse preço sem reclamar. O holandês lidera a lista com um salário de US$ 70 milhões anuais na Red Bull Racing, com contrato válido até 2028. Convertendo para o bolso brasileiro: algo em torno de R$ 370 milhões por ano, segundo o O Povo.

Além disso, o contrato de Verstappen não é apenas alto — ele é engenhoso. O acordo inclui cláusulas de lealdade, bônus estimado de aproximadamente 1,3 milhão de euros por vitória e mais 4,3 milhões de euros caso conquiste o título mundial. Em contrapartida, existe uma cláusula de saída: caso a Red Bull não se mantenha entre as três primeiras no campeonato de construtores, Verstappen teria a opção de buscar outros ares. É o tipo de detalhe que transforma um contrato em obra de arte jurídica.

Salário base anual
US$ 70 milhões
Em reais (aprox.)
R$ 370 milhões
Equipe
Red Bull Racing

Os valores de salário não incluem bônus por vitória, título ou contratos de patrocínio pessoal. Com esses adicionais, os ganhos reais de Verstappen podem ultrapassar US$ 74 milhões por temporada, segundo estimativas do RacingNews365.


Nº 2

Lewis Hamilton — O Homem que a Ferrari Pagou Para Ser Lenda

Em 2025, Lewis Hamilton fez o que parecia impossível: trocou a Mercedes — equipe com a qual venceu seis dos seus sete títulos — pela Ferrari, a escuderia mais famosa e mitológica da história da F1. A decisão foi tratada como traição por alguns torcedores britânicos e como a maior contratação do esporte por praticamente todo o resto do mundo. Em 2026, Hamilton recebe um salário anual de US$ 60 milhões pela Ferrari, e com bônus e patrocínios, o valor total chega a US$ 100 milhões.

Nesse sentido, o que torna Hamilton diferente de qualquer outro piloto não é apenas o que ele ganha dentro da pista — é o que ele vale fora dela. A Ferrari não contratou apenas um campeão mundial sete vezes: associou-se ao seu legado social, incluindo o compromisso de investir cerca de 17 milhões de euros nas iniciativas de diversidade do piloto, como a Mission 44. Com isso, acordos ativos com marcas como Dior, Tommy Hilfiger e Sony tornam Hamilton, na prática, uma agência de publicidade com capacete.

Salário base anual
US$ 60 milhões
Total com patrocínios
~US$ 100 milhões
Equipe
Ferrari HP

Hamilton terminou 2025 em sexto lugar no campeonato, sem subir ao pódio em toda a temporada. Ainda assim, seu salário permanece intocável. Na F1, às vezes, o valor da marca supera o resultado na pista.


Lewis Hamilton em 2008, ano do seu primeiro campeonato mundial de Fórmula
Lewis Hamilton no evento Stars & Cars em 2008 — o mesmo ano em que conquistou seu primeiro título mundial. Dezesseis anos depois, ele trocou a Mercedes pela Ferrari e se tornou o piloto mais comercialmente valioso do grid. (Foto: AngMoKio / CC BY-SA 3.0)

Nº 3

George Russell — O Maior Salto do Grid em 2026

Se existe uma história de valorização relâmpago nos contratos da F1 em 2026, ela tem nome e sobrenome britânico. George Russell, que em 2025 recebia US$ 15 milhões pela Mercedes, deu um salto impressionante. Russell teve o maior aumento salarial da temporada, subindo da sexta para a terceira posição, com um acréscimo equivalente a R$ 100 milhões. Em números, seu salário chegou a US$ 34 milhões — empatado com Charles Leclerc, da Ferrari, mas à frente no ranking por critérios de performance e momento de mercado.

Portanto, o que justifica tamanha valorização? Simples: Russell ficou como líder absoluto da Mercedes após a saída de Hamilton para a Ferrari. Ou seja, deixou de ser o número dois para se tornar o rosto da equipe mais vencedora da história recente da categoria. No mundo da F1, virar “o titular da casa” tem preço — e a Mercedes pagou sem pestanejar.


Nº 4

Charles Leclerc — Companheiro de Hamilton, Salário de Estrela

Leclerc é o monegasco que cresceu olhando para Schumacher e Senna e que, de alguma forma, convenceu a Ferrari de que merecia dividir garagem com o maior vencedor da história da categoria. Em 2026, Leclerc recebe US$ 34 milhões pela Ferrari — o mesmo valor que Russell na Mercedes, e mais do que Lando Norris, campeão da temporada anterior, recebia de salário base. Além disso, seus contratos pessoais com marcas como Richard Mille e APM Monaco acrescentam um valor considerável à conta bancária do piloto.

Dessa forma, Leclerc ocupa uma posição curiosa: é o segundo melhor pago da Ferrari, mas o quarto do grid inteiro. Em contrapartida, sua posição estratégica dentro da Scuderia — equipe mais patrocinada da F1, com mais de 40 parceiros pagando entre €350 e €400 milhões por temporada — garante uma exposição de marca que vale tanto quanto qualquer cheque.


Nº 5

Lando Norris — O Campeão que Ganhou o Título, Mas Não a Lista

Em 2025, Lando Norris foi campeão mundial. Com dois pontos de vantagem sobre Verstappen, o britânico da McLaren conquistou o título mais disputado dos últimos anos. Consequentemente, seria razoável esperar que, em 2026, ele chegasse perto do topo da lista salarial. Mas a Fórmula 1 raramente é razoável. Norris aparece em quinto lugar no ranking, com US$ 30 milhões anuais pela McLaren, com contrato válido até 2027.

Ainda assim, a história tem uma reviravolta. Em 2025, mesmo com salário base menor, Norris chegou a US$ 57,5 milhões no total — graças a um bônus de desempenho de US$ 39,5 milhões, o maior entre todos os pilotos da temporada, segundo a Forbes. Mesmo com esse bônus recorde, os rendimentos do britânico não superaram os salários fixos de Verstappen e Hamilton. Em 2026, com o contrato renegociado e o título na bagagem, seu salário base quase dobrou — de US$ 18 milhões para US$ 30 milhões. Não é o topo, mas é uma correção de rota importante.


Nº 6

Fernando Alonso — 44 Anos, Dois Títulos e Ainda no Top 6

Fernando Alonso é uma anomalia estatística com capacete. Bicampeão mundial (2005 e 2006), o espanhol da Aston Martin chegou a 2026 com 44 anos de idade — e ainda assim aparece entre os seis pilotos mais bem pagos do grid inteiro. Alonso recebe US$ 20 milhões anuais pela Aston Martin. Para efeito de comparação, isso é dez vezes mais do que Gabriel Bortoleto ganha na Audi — e Bortoleto é vinte e poucos anos mais jovem.

Diante disso, o caso de Alonso ilustra algo que vai além da pista: longevidade, em certos esportes, é um ativo financeiro. Sua marca pessoal, a Kimoa, e o estatuto de lenda viva permitem contratos com gigantes tecnológicos que buscam seu histórico e sua capacidade de transmitir credibilidade. Em outras palavras: Alonso não é apenas um piloto. É uma instituição com patrocínio.


Nº 7 e Nº 8

Sainz e Piastri — Os Dois Lados da McLaren e da Williams

Carlos Sainz e Oscar Piastri representam, em 2026, um contraste interessante. Sainz recebe US$ 13 milhões pela Williams, enquanto Piastri embolsa o mesmo valor na McLaren. Salários iguais, mas contextos radicalmente diferentes: Sainz é um veterano com passagens pela Ferrari, McLaren e agora Williams, enquanto Piastri é o jovem australiano que, em 2025, terminou em terceiro no campeonato — e cujos bônus de desempenho chegaram a US$ 27,5 milhões, segundo a Forbes.

Consequentemente, Piastri é um dos casos mais subvalorizados do grid em termos de salário base. Afinal, o australiano terminou 2025 em terceiro lugar no campeonato e faz parte da equipe que conquistou o título de construtores. Seu contrato, portanto, deve ser um dos que mais cresce nos próximos anos — basta que a McLaren não queira ver um rival chegar na frente com uma proposta mais generosa.


Nº 9 — O Brasileiro

Gabriel Bortoleto — R$ 10 Milhões Por Ano e Crescendo

Quando Gabriel Bortoleto chegou à F1 em 2025, aos 20 anos, ele se tornou o primeiro piloto brasileiro no grid desde Felipe Massa — encerrando um jejum de oito anos. Em 2026, em sua segunda temporada, agora pela Audi (antiga Sauber em processo de transição para a montadora alemã), o paulista de Osasco segue construindo sua história. O salário anual de Bortoleto na Audi é estimado em US$ 2 milhões, equivalente a cerca de R$ 10 milhões.

Por ora, o valor parece modesto diante dos gigantes do grid. No entanto, o contexto muda tudo. Bortoleto divide a posição com Kimi Antonelli, da Mercedes, ambos entre os jovens mais bem pagos do grid. Além disso, o brasileiro já acumula patrocinadores de peso: Mercado Livre, Porto Seguro e outros parceiros estratégicos que apostam na sua ascensão. É o tipo de base que, combinada com bons resultados, pode transformar um contrato de US$ 2 milhões em algo bem mais interessante nas próximas temporadas.

Para referência: Bortoleto ganha, por corrida, uma média de US$ 83 mil — mais do que a maioria dos brasileiros ganha em anos. Ainda assim, Verstappen recebe mais em um único fim de semana de Grand Prix do que Bortoleto em toda a temporada.


O Grid Completo — Quem Ganha o Quê em 2026

Além dos nomes principais, o restante do pelotão revela o abismo salarial que define a hierarquia da F1. Pierre Gasly e Alex Albon recebem US$ 12 milhões cada, enquanto Lance Stroll também figura nessa faixa com o mesmo valor. Sergio Pérez, agora na Cadillac, aparece com US$ 8 milhões — uma queda considerável em relação ao que recebia na Red Bull. No outro extremo, o novato Arvid Lindblad, estreante pela Racing Bulls, e Franco Colapinto, em sua primeira temporada completa na F1, recebem entre US$ 500 mil e US$ 1 milhão.

Diante disso, a diferença entre o topo e a base é de 140 vezes. Verstappen ganha, em salário base, 140 vezes mais do que um estreante. É uma desigualdade que, curiosamente, a própria F1 usa como argumento de marketing: a ideia de que existe uma corrida dentro da corrida, e que chegar ao topo tem um preço que vai muito além da velocidade.

O Dinheiro Que Não Aparece na Lista

Os salários acima representam apenas o que as equipes pagam diretamente aos pilotos. O que não aparece nesses números é, muitas vezes, ainda maior. Hamilton, por exemplo, soma acordos com Dior, Tommy Hilfiger e Sony que elevam seus ganhos totais a cerca de US$ 100 milhões, conforme levantamento do Sportico. Verstappen, por sua vez, tem uma carteira mais restrita — EA Sports, Heineken e a plataforma Viaplay —, mas isso ainda acrescenta entre US$ 13 e US$ 17 milhões por ano ao seu caixa, segundo análise do Flashscore.

Consequentemente, a F1 em 2026 não é apenas um campeonato de velocidade. É, sobretudo, uma plataforma global de construção de marcas pessoais. O piloto que entende isso — e Hamilton é o maior exemplo vivo — não compete apenas no asfalto. Compete também nos estúdios de moda, nos eventos de luxo e nas telas de celular de bilhões de seguidores. Essa é, afinal, a corrida que nunca tem bandeira quadriculada.

O que esse ranking ensina sobre dinheiro?

Verstappen fatura mais do que o campeão Norris não porque é mais rápido — mas porque negocia melhor, tem um histórico inegociável e um contrato construído para blindar seu valor independente do resultado. Hamilton vale US$ 100 milhões porque transformou o automobilismo em uma plataforma de impacto cultural. Bortoleto começa com US$ 2 milhões porque está construindo o ativo mais valioso de qualquer carreira: a reputação.

Na F1 — e na vida — quem define seu salário não é o quanto você trabalha. É o quanto as pessoas acreditam que você vale. E isso, diferente de velocidade, é algo que se constrói com tempo, consistência e uma boa equipe de negociação.


Gostou? Deixe nos comentários: na sua opinião, qual piloto está mais subpago no grid de 2026? Bortoleto merecia mais? A discussão começa aqui.

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